Como o movimento dos cavalos que se situa entre o caminhar ,e o correr , o trote é algo que se deve ser ensinado ao animal , muitas vezes à base de chicotadas e esporadas. Não diferente é a visão do trote estudantil , tradição acadêmica em início de estudos , em várias instituições.
Praticado pelos alunos mais antigos, visando geralmente alunos recém chegados , como uma forma de iniciá-los à instituição, e apresentá-los aos colegas de curso.
( Extraído da Wikipédia )
Segundo Van Gennep, criador do conceito, os ritos de passagem podem ser classificados em três grupos principais:
- Separação (funerais etc)
- Agregação (casamento etc)
- Margem (iniciação etc)
Conforme indica, “as fronteiras entre tais ritos não são estanques, e sim dinâmicas; um comumente, implica um outro” (Van Gennep, 1978, p. 31). Portanto, do ponto de vista da antropologia cultural, o trote se classifica como um rito de passagem de margem e permite que sejam extraídas quatro conclusões preliminares (Vasconcelos, 1993, p. 14-15):
- O trote é um cerimonial que está entranhado no seio da cultura acadêmica;
- O caráter iniciático do trote é confirmado por todos os seus participantes;
- O trote representa um ritual de violência e agressão contra o calouro;
- O trote é um rito de passagem às avessas, representando uma prática oposta aos valores humanistas da universidade.
Vitma de represálias e críticas por parte da mídia , porém muitas vezes escondido em baixo do tapete , pela direção das instituições, não raras são as notícias de iniciações que passaram dos limites. Surgiram desavenças entre veteranos e calouros que culminaram com a morte, em 1831, de um estudante da faculdade de Direito de Olinda, Pernambuco – seria a primeira, mas lamentavelmente não a última vítima de um trote violento no Brasil.
- Em 1980, Carlos Alberto de Souza, de 20 anos, calouro do curso de Jornalismo da Universidade de Mogi das Cruzes (SP), morreu de traumatismo cranioencefálico, resultante das agressões praticadas por estudantes veteranos.
- Em 1990, George Mattos, de 23 anos, calouro do curso de Direito da Fundação de Ensino Superior de Rio Verde (GO), morreu de uma parada cardíaca quando tentava fugir de veteranos que iam lhe aplicar um trote.
- Em 22 de fevereiro de 1999, o estudante Edison Tsung Chi Hsueh tornou-se conhecido quando foi vítima de trote com conseqüências fatais. Esse calouro de família chinesa, aprovado na Faculdade de Medicina da USP, faleceu nesta data, afogado em uma piscina.
- Em 10 de fevereiro de 2009, o “bixo” Bruno César Ferreira, de 21 anos ia começar o curso de veterinária da Faculdade Anhanguera, em Leme, interior de São Paulo. Além de ser obrigado a ingerir bebidas, e ter entrado em coma alcoólico, o calouro também teve de rolar em uma lona com animais mortos e fezes em decomposição.
O Jornal Hoje da Rede Globo noticiou ontem , um aluno da Unicastelo que foi agredido fisicamente, e humilhado por Veteranos do curso de Veterinária, da faculdade.
A Universidade tem 15 dias para apurar os alunos envolvidos, e as penas podem ser desde advertências , até a expulsão dos envolvidos.
Tal ocorrido cria no mínimo uma descrença , e talvez a dúvida se a única preocupação da direção da instituição seria comprovar que o ocorrido foi fora dos domínios da faculdade. Resta esperar se algo será feito mesmo.
Um aluno da Universidade Federal do Paraná , entrou em coma alcóolico quando foi obrigado a ingerir uma bebida desconhecida. O porta voz da universidade , mais uma vez , lavou as mãos e disse que o ocorrido foi fora dos estabelecimentos.
O ponto é , que isso nunca vai deixar de existir. Não até um bando de estudantes que fazem os cursos às custas dos pais , que ingressaram nas faculdades federais estudando por cursinhos de elite , se descobrirem que os imbecis na situação toda, são eles mesmos.
Trotes solidários já são organizados , mais contra as represálias da mídia , pais , e polícia, doque por ética. Os trotes não vão deixar de existir. O que deveria surgir, são aqueles que não se calam , e nem tem medo do que vêem. E se corrompem ao sistema , ao primeiro sinal de ameaça.
Nota da Unicastelo:
http://www.unicastelo.br/2007/site/noticias/?id_noticia=1410&id_categoria=1








